Texto JIC 2010
Umberto Eco e a interpretação infinita
Alline Gonçalves do Nascimento
DRE
e Caroline Machado
DRE
Orientador.: Prof. Dr. Andrea G. Lombardi
O objetivo deste trabalho é analisar o conceito de abertura presente na Obra de Umberto Eco “Opera aperta”, que foi escrita em 1962 e influenciou o panorama cultural da Itália.
A obra trata das relações existentes entre a poética contemporânea e a pluralidade de significados com base na Teoria da Formatividade de Luigi Pareyson, que entende a obra como um objeto em contínuo processo de construção mesmo antes de tomar forma, pois existe no processo interpretativo por parte do autor. Sendo assim a obra de Pareyson é influenciada pela Hemenêutica Romantica de forma que esta entende a totalidade do leitor no ato da interpretação.
Umberto Eco constrói o conceito de abertura da obra, segundo o qual amplia as possibilidades semânticas a fim de proporcionar ao seu público formas indetermináveis, mas não ilimitadas de interpretações, ou seja, as múltiplas perspectivas e possibilidades presentes no ambiente de recepção se articulam à obra voltando a dar vida à mesma.
A obra de arte é rica em possibilidades de significados que convivem dentro de um significante, visando esta ambigüidade como um valor contemporâneo presente em ideais de informalidade, casualidade e indeterminação dos resultados segundo uma determinada perspectiva individual, a do leitor, o autor estabelece a dialética entre “forma” e “abertura”, de maneira que a interpretação não está mas vinculada ao autor.
A idéia da autonomia da intenção do autor na leitura de sua escrita é presente também em Roland Barthes ao abordar o tema em suas obras, “A Morte do Autor” e “Da Obra ao Texto”. Nesse sentido o dialogo entre Barthes e Eco se dá pelo fato de que o texto para ser lido é preciso estar desvinculado da intencionalidade de quem o escreve, garantindo assim a penetração na rede de relações do texto.
Eco exemplifica na composição da musica tradicional, a autonomia criativa que dá vida a mesma obra. No Klavierstuck XI, de Karlheinz Stockhausen o autor propõe uma série de combinações entre grupos de notas e através de uma montagem sequencial das frases musicais, da sucessão dos sons e sua intensidade nasce uma nova obra a partir das indicações do compositor conforme a sensibilidade do intérprete.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1- ECO, Umberto. I limiti dell'interpretazione. Editore: Bompiani, 1990 .
2- ___________. Opera aperta. Editore: Bompiani, 2000 .
3-___________. Obra aberta. Forma e indeterminação nas poéticas
contemporâneas, trad. de Giovanni Cutolo. Editora: Perspectiva, 2008.
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